E depois ensina!!!
No ambiente escolar, especialmente durante o livre brincar na primeira infância, as crianças aprendem umas com as outras de maneira natural e espontânea, criando um espaço rico em interações e trocas que são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional.
Jean Piaget, em sua teoria do desenvolvimento cognitivo, destacou que as crianças constroem conhecimento por meio da interação com o mundo e com os outros, em um processo ativo de assimilação e acomodação. Nesse contexto, o brincar livre é um cenário privilegiado para que elas experimentem, descubram e aprendam juntas, sem a mediação constante de um adulto. Quando uma criança ensina outra a subir no tronco, a construir uma torre de blocos ou a resolver um conflito durante uma brincadeira, ela está não apenas consolidando seu próprio conhecimento, mas também desenvolvendo habilidades como empatia, comunicação e liderança.
Montessori, por sua vez, enfatizou a importância do ambiente preparado e da interação entre crianças de diferentes idades como ferramentas pedagógicas poderosas. Em um ambiente multietário, é comum ver crianças mais velhas ajudando as mais novas, seja a amarrar os sapatos, a guardar materiais ou a realizar atividades mais complexas. Essa dinâmica beneficia tanto a criança que ensina quanto a que aprende. Para a criança que ensina, o ato de explicar ou demonstrar uma atividade reforça seu próprio entendimento, consolidando conceitos e habilidades. Montessori chamava isso de “consolidação pelo ensino”, onde a criança que ensina revisita e aprofunda seu conhecimento ao transmiti-lo. Já para a criança que aprende, receber orientação de um colega pode ser menos intimidador do que a mediação de um adulto, criando um ambiente de confiança e colaboração que facilita a assimilação de novos conceitos.
Além disso, o livre brincar na primeira infância promove a resolução de problemas de forma colaborativa. Quando as crianças brincam juntas, elas negociam regras, compartilham ideias e encontram soluções para desafios que surgem durante a brincadeira. Piaget chamava isso de “conflito sociocognitivo”, um processo em que as crianças confrontam diferentes pontos de vista e, ao fazê-lo, ampliam sua compreensão do mundo. Por exemplo, ao decidirem juntas como dividir os brinquedos ou como continuar uma história imaginária, elas estão desenvolvendo habilidades de pensamento crítico, criatividade e cooperação.
O papel do educador, nesse contexto, é o de facilitador, criando um ambiente seguro e estimulante onde as interações possam fluir naturalmente.
Aqui no Viverzinho, as crianças são protagonistas de seu próprio aprendizado, e o brincar livre é um espaço onde essa autonomia pode florescer. Ao aprender umas com as outras, as crianças não apenas adquirem conhecimentos práticos, mas também desenvolvem valores como respeito, solidariedade e trabalho em equipe. Essas experiências, vividas de forma lúdica e significativa, formam a base para uma aprendizagem que vai além do conteúdo acadêmico, preparando as crianças para se tornarem cidadãos colaborativos, criativos e conscientes de seu papel no mundo.